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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Tudo sobre minha mãe

Quando comecei a ver o filme, uma mulher desesperada chorava chamando: ‘meu filho”. Essa mulher é Manoela.
Depois... segue a cena do hospital, os médicos confirmam a morte do garoto e pedem autorização para doação de seus órgãos.
Manoela resolve (conhecer) ver de perto o homem que recebeu o coração de seu filho. A cena é bem rápida. Manoela escondida atrás de um poste, e um homem acompanhado (por duas mulheres) saindo do hospital.
Manoela volta para casa e uma amiga aparece tentando acalmá-la.
Manoela decide ir para Barcelona, procurar o pai de seu filho.
Barcelona aparece como o mundo das ‘loucas’, entre travestis e prostitutas, Agrado aparece pela primeira vez. Nesta cena Manoela o salva (Agrado é travesti) de uma surra.
Na mesma cena, gozado que depois de tudo, Agrado ainda indica quem pode satisfazer “seu agressor” (vá entender o submundo).
Mas também existe gente que presta neste filme, uma freirinha sensível e do tipo madre Tereza. Através de Agrado, Manoela conhece essa garota, ela trabalha na recuperação de travestis e prostitutas, no decorrer do filme acaba sendo infectada (HIV), fica grávida e morre quando seu filho nasce. Esta garota tem um relacionamento péssimo com sua mãe (acaba fazendo Manoela assumir essa função em sua vida). Manoela é quem vai cuidar dela durante a gestação, até que seu filho nasça. Manoela é quem vai criá-lo depois que sua avó o rejeita por ter sido infectado. Coloca o nome de ‘Esteban’ nele, o mesmo nome de seu filho (a pedido da freirinha), e são filhos do mesmo pai, um travesti de Barcelona. Manoela encontra o ex-marido no enterro da garota, conta que quando fugiu dele estava grávida e que faz pouco tempo que o garoto morreu, conta a ele também que agora tem outro filho (o filho da “freirinha”). Em outra cena leva o bebê para ele conhecer. Entrega um caderno que era de Esteban e uma foto dele.
Nesse meio tempo Manoela procura uma atriz e começa a trabalhar com ela. Ela vai assistir uma peça - Um bonde chamado desejo, entra no camarim da atriz, acaba dirigindo para ela e esquece sua bolsa com ela. Tudo isso é intencional por que seu filho morreu atropelado por correr atrás do carro dessa atriz para pedir um autografo. Elas acabam ficando amigas a ponto de Manoela indicar Agrado para depois ocupar seu lugar como assistente.

Na cena do camarim esqueci de falar sobre Nina, ela passa correndo por Manoela e desaparece (é por isso que Manoela consegue tão rápido se aproximar da atriz). Ela também é atriz e tem um relacionamento complicado com a outra atriz (eu esqueci o nome dessa). Mas no fim Nina se casa e tem um filho (sem cenas).
No fim o pequeno Esteban volta com Manoela a Barcelona (tinham fugido da avó do menino) para ser analisado em um congresso por não ter mais o vírus.



Born into brothels



Aborda um tema polêmico – a prostituição – de uma das maiores populações do mundo, a Índia (se não me engano). Ao mesmo tempo fala de esperança, por que apresenta crianças e seus possíveis futuros que pode ter uma passagem por escolas ou fora delas. O filme é também um documentário e por isso desperta em quem assiste um tipo de sensações de todos os tipos possíveis, saímos da alegria das crianças para a tristeza da realidade e de repente estamos esperançosos que algo bom aconteça a algumas delas, mas isso nem sempre é possível, como disse anteriormente trata-se de um documentário. Ao amostrar a realidade nem sempre o filme agrada, talvez por que na realidade não existam os finais pelos quais esperamos. O filme é muito triste.
Logo nas primeiras cenas ouvimos uma voz que fala com algumas crianças - é a voz da pesquisadora que por não poder freqüentar esses bordéis a fim de tirar fotos das pessoas que vivem ou aparecem nesse lugar, pede para que algumas crianças tirem essas fotos para ela.  Na verdade não apenas pede, ela ensina como tirar essas fotos e cede as câmeras para as crianças. Mas, ao mesmo tempo é possível perceber que as crianças já possuem algum talento, alguma coisa que as faz tirar fotos mais que interessantes, possuem uma sensibilidade que até assusta (isto para quem se interessa por fotografia).
As crianças, ao mesmo tempo em que têm encontros com a pesquisadora, levam suas vidas como antes - nos bordéis onde moram com suas famílias - mas só que com algumas modificações visitam o zôo (vêem os animais que também são maltratados, como tudo nesse lugar) e até vão à praia (os passeios são uma espécie de hora de lazer onde podem realmente ser elas mesmas), tiram fotos por lá também. As crianças passam o filme todo com “suas” câmeras fotográficas na mão, e sempre tirando fotos.
 O que mais me impressionou /revoltou neste filme foi que apesar de suas mães serem prostitutas, as crianças eram obedientes a elas, principalmente as meninas que teriam seus fins iguais ao das mães, muitas vezes por imposição destas. As crianças não viam outra solução, alem da prostituição apesar de freqüentarem a escola, nem suas famílias. Ao longo do filme, em seus depoimentos elas falam da realidade em que vivem com sofrimento e ao mesmo tempo com uma certa normalidade. Parecem que já estão acostumadas com o fim que as espera.
Meu olhar pode ser um tanto ocidental, infantil ou até mesmo preconceituoso, mas saber que crianças em qualquer lugar do mundo sofrem esse tipo de tortura, que além de física é também psicológica, não apenas me entristece ou revolta, ou me faz escrever, me incentiva a ter vontade de despertar. E não pretendo fazer isso sozinha. Talvez por isso eu escrevo. Para que outros possam também se interessar e acima de tudo tomarem consciência de um dos bens maiores que a humanidade têm – as crianças e suas mentes – e não se dá conta. “Sementes bem regadas terminam em árvores que produzem mais frutos”. Apesar dessa frase que pode ser entendida como simples ou até mesmo sem muita credibilidade, eu realmente comecei a ter consciência de que não posso apenas fazer uma pesquisa que nada devolva a alguma escola ou comunidade, simplesmente por que existe um mundo que poucos percebem ou respeitam, a infância. E como sou uma das pessoas que percebem e sinto que também sou responsável pelo que pode vir ou não a acontecer pretendo voltar algum tempo de minhas pesquisas para essa área que a partir da leitura desse filme tornou-se um dos temas que pretendo observar com mais atenção.
Ao longo da história as crianças foram tratadas como pequenos adultos ou treinadas para serem / ocuparem determinadas funções na vida adulta. Muitas eram tratadas como seres sem vocação, pessoas que fariam o que um adulto mandasse.
Mas a partir de algumas observações e leituras percebi que existe um “mundo” diferente (que é o raciocínio de muitas crianças e que não é o mesmo para todas) que apesar de ainda estar em formação já apresenta algumas características e/ou inclinações que na maioria das vezes não são estimuladas nas crianças que pertencem as chamadas comunidades populares. Quero dizer que além de criatividade e capacidade de aprender, as crianças podem desde pequenas ou nesse período que é a infância, apresentar predisposições/ talentos que se bem estimulados podem torná-las adultos satisfeitos com suas profissões.
Pude perceber nesse filme que as crianças não tem suas vontades atendidas nem mesmo quando não se trata de caprichos. Quando querem ter futuros diferentes dos de suas famílias em vez de serem atendidas e levadas para escolas que lhes dariam chances de ter essas oportunidades, as famílias ( que determinam suas vidas e ainda tomam decisões por elas como se não significassem muito) as retiram da escola por motivos egoístas e que no fim só trazem diferença à vida das crianças, por que os adultos já estão em estado de total desgraça/abandono que nem mesmo a escola conseguiria recuperá-los.
Esse filme/documentário consegue mostrar a realidade de um grupo de crianças que apesar de viverem em um lugar de horror, conseguem sorrir e guardar valores de uma infância que apesar de não ser respeitada (como deveria ser) ao mesmo tempo parecem apresentar a presença de respeito ( o respeito que as meninas tem por suas mães e como são obedientes a elas e um dos meninos que não foi para escola por que a família não permitiu). Além disso outro ponto marcante é a cortina que separa o quarto onde a mãe, das crianças abordadas nesse filme, trabalha do espaço onde elas ficam esperando que o “trabalho” acabe.
A relação que as crianças têm com suas famílias é comum, como em outras famílias que poderíamos considerar normais, sentem falta quando se afastam (quando finalmente são aceitas nas escolas que a pesquisadora - que tanto se esforça - consegue arranjar para elas).

Não descrevo o filme ou apenas faço um resumo por não poder fazer isso nesse momento. Assisti a poucas horas e ainda me encontro sob o impacto que as sensações que o filme aflorou ( trouxe para fora de mim, nas palavras).


O choque é um pouco maior quando misturam em um mesmo espaço, realidade e fotografia, tudo isso com um fundo de música indiana, música que desperta sentimentos que acalmam e agitam. Tudo nesse filme é parte de um paradoxo (ultimamente tenho usado bastante essa palavra). Respeito X falta de respeito;