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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Geração zapzap

Eu acredito que ler não é só pegar o livro, mas como dizia Freire, ler o mundo ao seu redor. Ler uma tirinha, um quadro na parede, o outdoor na rua, etc. Quantas linguagens se escondem por trás dos símbolos, e conseguir ler não se resume a juntar sílabas,  mas dominar ou ser dominado.
Devemos nos preparar para textos mais curtos a cada dia e pessoas que não tem acesso a cultura por que   estão presas a banalidade da diversão? Sim, por que alguns autores antigos precisam passar por releitura se quisermos que sejam lidos hoje em dia, por que a garotada não tem paciência de interpretar o texto. Digo isso porque já tentei fazer com que uma turma de oitava série lesse e fizeram pouco da minha cara, enquanto eu incentivava a leitura de um simples texto de uma página.
E quem perde com isso? Todos nós perdemos. Numa sociedade em que poucos conhecem e dominam os códigos,  a maioria se torna útil para trabalho onde não utiliza o intelecto e com isso temos menos produção cultural, índices de violência maiores e pessoas dóceis (os que não deram para ruim são doceis).
O governo não  é maior do que a nossa vontade de querer algo melhor ,e melhor para todos, o problema é que fica mais fácil jogar a culpa em alguém.
Eu sempre tive pouca grana, mas sempre dei um jeitinho de ter acesso a cultura, leio desde meus 3 anos de idade e incentivo esse hábito às gerações futuras, mas como falei antes tem muita coisa que  precisa ser repensada para chamar atenção dessa geração "rede social" ou melhor geração "zapzap", que nasceu com a tecnologia ao seu alcance, mas ainda enfrenta os mesmos problemas sociais que seus pais enfrentaram.
E ter tecnologia, nem sempre significa fazer bom uso dela. Por exemplo, a quantidade de bibliotecas virtuais e sites que oferecem cursos gratuitos no ar enquanto muita gente prefere usar a internet para diversão.
Acredito que rede social só traz proveito quando se usa de forma consciente.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tempos Modernos

Vivemos em um tempo onde a criança não sabe mais de onde vem a fruta que é comprada no mercado, não sobe em árvore nem sente o gosto de fruta colhida no pé. Quando eu era criança, eu tinha um pé de caju-banana que era só meu, eu deixava alguém colher de vez em quando, tinha ciúme do meu pé de caju. Era uma árvore antiga e enrugada, muito linda, com folhas verdes e cheia de frutos durante o verão. Eu subia nessa árvore para colher seus frutos. Penso que as crianças de hoje nem mesmo tem quintais quando moram em apartamento.
As crianças de hoje bebem suco de caixinha, tomam leite de caixinha, se bobear nem sabem que o leite vem da vaca.
No sentido de facilitar a vida, esses produtos acabam nos afastando dos produtos naturais e da própria natureza. Todos querem facilidade, por isso, os produtos com conservantes, o semi-pronto, o fast-food são escolhidos em vez de uma comida balanceada.
Com isso facilitamos para doenças oportunistas e crônicas e depois pagamos caro por consultas e remédios por causa dessa má alimentação.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Neverland

Quando a infelicidade é uma rotina
Ensaio uma possível felicidade
que não vem de lugar nenhum

Não existe alegria,
Não existe amor,
Só mercadorias.

Onde estão os meus amigos?
Sim, eu também ouvi Oasis.
Onde estão os meus sapatos?
Guardados no armário
Junto com tudo que aqui
Eu não posso usar.

Aqui eu não sou
         eu não estou
         eu não vivo.

Aqui eu finjo ser quem eu não sou.

Estou guardada dentro de algum lugar
Onde as lembranças são vivas,
E meus cabelos voam
com a brisa que passa,
e meu sorriso não é forçado,
e minhas palavras não são medidas,
e minha voz ecoa
mas, não há silêncio.
Por que falamos todos juntos.

Neste lugar eu sou eu mesma
e estou viva
e não preciso ser agradável
e não preciso ser parecida com alguma mulher
nem preciso fingir feminilidade
e posso ser autêntica.

Posso usar meu batom vermelho
e falar qual é o meu sexo
e como quero fazer e com quem.

Por que não existe essa hipocrisia
Neste lugar, que só eu visito
e
outros loucos.