“Eu
não sou brasileiro
Eu
não sou estrangeiro
Não
sou carioca, não sou português”
Mas,
o que vem a ser brasileiro?
O que realmente nos caracteriza?
Uma história forjada, na qual os
oprimidos e perdedores foram derrotados e subjulgados por senhores e sinhás
mesquinhas?
Ou melhor, uma cultura de samba,
futebol e mulata?
O samba foi “inventado” aqui no
Brasil?
Resposta: é claro que não, o samba
foi trazido de fora e adaptado aqui para ser “vendido” em outros países como
cultura brasileira.
O futebol foi trazido de fora, da
Europa, principalmente da Inglaterra e adaptado par o Brasil. Nos dias atuais é
“vendido” como cultura,ou melhor, como o esporte oficial do país.
A mulata,finalmente encontramos
algo que foi “fabricado” no Brasil. Esta é uma das formas em que é possível
compreender a fragilidade dos povos oprimidos, que viveram debaixo do regime
escravocrata, onde seus corpos também pertenciam a seus senhores e os desejos
destes por vezes eram lascivos para com as escravas – que possuíam não apenas
para o serviço, mas para o prazer sexual também. Eis o nascimento da mulata e
sua utilidade: cozinhar, lavar e servir na cama.
Assim os senhores “fabricavam” a
história, ganhavam dinheiro e se divertiam muito com suas mercadorias. Alguma
coisa mudou de lá para cá?
Então, não parece estranho, a essa
altura indagarmos o que vem a ser cultura brasileira?
O que realmente pode ser “vendido”
como made in Brazil? Já que não temos
cara de Brasil, formato de cidadãos brasileiros, características que nos caracterizam
como povo pertencente a esse chão?
Somos um amontoado de gente que só
tem em comum a falta de “coisas” em comum, isto sim é Brasil. Somos algo que
alguém idealizou, somos esta invenção que nada se parece com realidade. Somos
uma distância enorme, somos entre riqueza e marginalidade. Onde imagem difere
muito do reflexo da verdadeira identidade.
Samba, futebol e mulata e se alguém
não gostar?
E se não der para “gozar”?
Vai deixar “passar”?
Talvez seja essa a principal
característica do brasileiro, deixar que os outros resolvam. Deixar que os
outros façam. E principalmente deixar que alguém pense e planeje o que vem a
ser de suas vidas.
Até quando, Brasil?

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