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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Penetrando


O que nos une? O que nos separa? Tanta proximidade, tanta permissão e uma eterna distância. Distância sombria, que corta qualquer vínculo temporário.

Garotos, garotas e seus afins. Juventude reunida. De cabeça erguida, ás vezes sim, às vezes não. Sigo na contramão sem saber como distinguir vandalismo de revolução? Nem eu sei dizer o que penso sobre tudo que acredito e cumpro em mim. Não sei se esta causa me torna uma escrava.

20 de maio de 2012 foi um dia daqueles, entrei em muitos lugares e não-lugares, vi muitas pessoas e alguns ninguéns. Tomei muitas bebidas e não paguei por nada. (Eu entro e saio de muitos lugares e nunca faço parte do lugar, apenas observo). O que vi:  corpos lascivos em ritmos frenéticos, entorpecidos ou simplesmente ritmados no embalo de um som agressivo aos meus ouvidos (por que o meu som nunca toca por aqui, quando toca é apenas uma música e acaba rápido).

Escrevi esse microtexto às seis da manhã e voltando da noite anterior. Quando saí às sete horas da noite; “penetrei” legal, geral. Penetra do tipo vip. Que entra e anima a festa. Em outros lugares fiquei quieta no canto com medo dos não-iguais. O que é um absurdo.

Nós humanos somos os seres mais patéticos, por que procuramos os outros e ao mesmo tempo os tememos. Temos medo da solidão, e mais medo ainda de quem pode suprir essa solidão. Tememos até a falta de sentir medo. Eu senti muito medo. E fiquei firme. Não estava no meu lugar. E não demonstrei isso em momento algum. Afinal nem lembro mesmo a última vez que estive nos “ meus lugares”.

 

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